REVIEW DO FILME NÓS


O Nós é um filme que se enquadra nos géneros de Thriller e Terror e que estreou recentemente. É um filme realizado por Jordan Peele, o realizador conhecido pelo seu filme de estreia, Corra. Hoje, senti-me na obrigação de vos escrever sobre um dos filmes mais inquietantes que vi nos últimos tempos. Antes de mais, um aviso. Este post contém spoilers.

O Nós conta-nos a história de uma família que decide ir passar férias para uma casa na praia com uma família amiga. O enredo desenrola-se quando a família se apercebe que está uma família à entrada da sua casa e que são iguais a eles. Vestem-se de vermelho e são sombras da família "humana". 

Ao longo do filme, vamos acompanhando a luta da família pela sobrevivência e do quão frenética esta se torna. O filme exige do espectador máxima atenção e concentração para que este perceba aquilo que está a acontecer. É carregado de mistério e vai nos revelando aos poucos aquilo que está verdadeiramente a acontecer. 

O filme não só é brilhante a nível cinematográfico, como a nível de atuações. A personagem principal, interpretada pela atriz Lupita Nyong'o, está incrível. Muito credível, extremamente bem desempenhada e construída. 

O início do filme é verdadeiramente arrepiante. Vemos a sombra de Adelaide a explicar como as vidas de Adelaide e de Red são distintas. Enquanto que Adelaide comia comida quente e saborosa, Red comia coelhos crus e sangrentos. Enquanto que Adelaide recebia brinquedos no Natal, Red recebia objectos cortantes. Enquanto que Adelaide dava à luz a uma menina linda, Red dava à luz a um monstro. 

No filme podemos ver que toda a gente tem a sua sombra e que estes só morrem pelas mãos dos seus "iguais" ou pela sua própria arma, as tesouras. 

Agora é importante falar do final, que pessoalmente considero excelente. 

No final, vemos que a luta desesperada pela sobrevivência acaba onde tudo começou: na praia. Foi aí que Adelaide começou por conhecer a sua Sombra, Red, quando era apenas uma criança e se afastou dos pais. E foi aí que descobrimos a verdade: as sombras vivem aprisionadas nas estações de metro abandonadas e túneis desactivados, a viver como espelhos dos seus humanos. No entanto, Adelaide é na verdade uma sombra. Quando as duas se encontram pela primeira vez, a sombra de Adelaide rapta Adelaide e aprisionou-a nos túneis enquanto que a sombra escapou para o mundo "real" e humano. 

É um final imprevisível, apesar das pistas estarem todas lá plantadas: o facto de a sombra não falar quando sai para o mundo real porque as sombras não falam, o facto de a suposta sombra ser a única "sombra" que fala, a própria atitude da real sombra quando mata outras sombras. Tudo faz sentido e no final, quem esteve atento durante o filme, percebe a forma inteligente como o filme é pensado e concretizado.  

Aquilo que para mim foi evidente ao longo de todo o filme é como este filme é uma metáfora para o quão nós somos o nosso pior inimigo, para o quão nós temos que lutar contra nós próprios para sobrevivermos e o quão somos reféns de nós próprios. Somos reféns das nossas ideias, das nossas concepções, da forma como vemos o mundo. Somos reféns do que pensamos e daquilo que fazemos. Penso que também nos demonstra o impacto das nossas decisões e do quão somos moldados pelas experiências passadas.

No geral, a minha opinião deste filme é bastante boa. É um filme sólido, com actuações incríveis e que é muito bem conseguido. 

Avaliação final: ★★★★☆