21:45h de dia 29 de Março de 2018. As luzes vão se
dissipando. A escuridão instala-se. O coração vibra ao ritmo da excitação e do
nervoso miudinho que toma conta de nós quando estamos perante alguém como
Benjamin Clementine. E ali está ele, no seu macacão de ganga e quimono floral,
trazendo cá para fora um pouco do que o faz único e especial.
Começa por algumas músicas do
álbum mais recente, I Tell A Fly, de
2017, passando progressivamente para o que Benjamin afirma ser “a razão porque
vocês estão aqui”: as músicas do seu álbum de estreia, At Least for Now. A Condolence
constituiu o epitome do concerto: todos a cantar em uníssono num momento
verdadeiramente indescritível.
A amplitude vocal é
maravilhosamente explorada ao longo de todo o concerto. Sentimos cada oscilação
da sua voz sob a forma de arrepios espalhados por todo o corpo. Provoca em nós
uma inquietação que simultaneamente aquece o coração. Canta cada palavra com
tanto sentimento que é impossível ficar-lhe indiferente. É um caos bonito. A
genialidade não lhe cabe nas veias.
Ao longo do concerto, presenteia-nos com momentos de desabafo que termina por não ser essa a razão porque os espectadores estão ali. Mas na verdade, todos o ouvem com admiração e quase hipnotizados. Benjamin é, para além de um artista, uma pessoa incrível.
Uma personalidade encantadora que
cativa qualquer um que assiste o espectáculo. É comovente. Há tempo para rir,
chorar e reflectir. Há emoções a fluir por cada canto da sala. Há tempo para
desconstruir manequins e para caminhar por entre o público enquanto canta as palavras Porto Bello em loop.
Benjamin é uma pessoa que expõe a vulnerabilidade que todos temos em nós, por
mais que a tentemos esconder. É alguém verdadeiramente especial, que o nosso
coração acolhe.
Com amor,





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